« SAC é um saco! | Main | Beleza é fundamental »
A Tocaia
O boom dos blogs já passou. O que quero dizer é que não é mais novidade. Aquela febre que exigia que todos tivessem um, já não queima tanto. Blog dá trabalho, ou melhor, um bom blog dá trabalho! Exige compromisso.
A febre agora são as ferramentas que promovem um sentimento de comunidade. Alguns especialistas dizem que, hoje, um site só consegue um mínimo de atenção se tiver uma comunidade motriz. É um pouco do que a Web 2.0 tem trazido para a internet.
Mas uma coisa ficou clara: um blog pode ser uma excelente ferramenta nas mãos de pessoas sérias. Um profissional de qualquer área pode publicar suas idéias, ensinar e aprender com colegas além de mostrar seu trabalho. Isso fez com que muito material original, de qualidade, fosse colocado a disposição do público com uma velocidade de atualização jamais vista.
A Caça
Esta originalidade, qualidade e velocidade dos conteúdos sendo publicados coloca em pânico pessoas que propõe algo como o Projeto de Lei da Câmara nº 79, (Uma análise técnica, mas interessante, pode ser lida no Consultor Jurídico) como lembrou hoje o jornalista João Paulo Pimentel num artigo que escreveu para a Gazeta do Povo entitulado "Regulamentação deixa blogs em limbo jurídico". Criar uma reserva de mercado não vai resolver.
Na Revista Veja edição especial de Tecnologia 2006 saiu um artigo especulando "quais empregos a tecnologia vai de fato varrer do mapa". A conclusão é que o jornalista precisa se conscientizar que a simples tarefa mecânica de reproduzir informações não serve mais. Copiar conteúdo das grandes agências de notícias não cola. O acesso a estas informações é livre e rápido, através de e-mail ou RSS, portanto ler notícias requentadas no dia seguinte é absolutamente supérfluo. Fazer clipping é uma tarefa mecânica que pode ser automatizada como o que o Google News faz com maestria ou uma simples ferramenta para filtrar arquivos RSS livremente disponíveis.
Apenas escrever não é suficiente. Qualquer um, na verdade todos nós, deveríamos ser capazes de comunicar de forma coerente nossas idéias. Isso deveria ser um pré-requisito em qualquer profissão!
O Abate
O que diferencia um jornalista de todos os outros, ao meu ver, é sua capacidade e seu treinamento para perceber o que é noticiável. É um modo diferente de olhar para o mundo. Veja a revista The New Yorker, marco do novo jornalismo, cujos artigos em sua maioria, não são escritos por jornalistas, mas contem originalidade e seu conteúdo é maravilhosamente noticiável! Mérito de quem? Da visão jornalística de seus editores!
E para coroar tudo isso está a capacidade de correlacionar fatos. É nisto que reside a profissão. Só sobreviverá ao avanço tecnológico aquele que desenvolver "senso comum, capacidade de julgamento e criatividade". A educação se torna primordial, manter-se atualizado e permanentemente evoluindo acima de tudo. Isso serve para todos, jornalistas ou não.
Regulamentar para evitar o charlatanismo? Em qualquer área existem estes tipos e isso não vai parar. Cabe ao leitor aprender a discernir o que é bom. Quanto maior for o seu acesso à informação e quanto mais educado for, melhor sua capacidade de separar o jôio do trigo.
Agora sem dúvida que, permitindo que profissionais especialistas se expressem, a chance de encontrar temas abordados com maior profundidade é inegável!
24Jul2006| share this!Realmente um texto perfeito. A idéia navega com leveza e objetividade. E o mlhor de tudo é que eu concordo com você. Parabens!
por: Juão Carlos | 25Jul2006.Belo texto Nancy. O que me perturba no meio disso tudo é saber que muitos dos meus futuros colegas de profissão não tem consciência disso! Mas como diz o Marchioro para bons jornalistas sempre haverá trabalho! E assim como você espero que os leitores aprendam a separar o joio do trigo! Beijinho, Rafa.
por: Rafaelle | 26Jul2006.
Acho esta lei problemática. Quero crer que toda reserva de mercado é uma espécie de administração por exceção: serão cometidas injustiças. Para os bons jornalistas sempre haverá trabalho.
por: Fábio Marchioro | 25Jul2006.