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Web 2.0 - Que bicho é esse?

Crazy FrogHoje à tarde, conversando com meu amigo Eduardo, surgiu a pergunta. O que exatamente é Web 2.0? Longe de mim querer ser uma expert no assunto. Existem muitos artigos muito profundos sobre o assunto, mas acredito que posso explicar em palvras simples.

Primeiro: existe uma Web 1.0? Sim. Ela se caracteriza por ser:

  1. Estática, sem atualizações frequentes.
  2. Elitista, por só ser atualizada por quem entendia do riscado, consequentemente poucos sites eram atualizados com regularidade e fazer isso custava caro.
  3. Difícil de usar e pouco amigável.
  4. Deselegante, feia e rápida ou linda, maravilhosa e DEMORADA!!
  5. Problemática na sua compatibilidade em versões futuras e passadas de nevagadores, pois não seguiam uma norma central.

Para citar algumas...

Agora podemos comparar. Então, em segundo, vamos dividir a definição de Web 2.0 em dois aspectos: tecnológico e cultural.

Do ponto de vista tecnológico
Estamos num momento da web em que praticamente qualquer coisa pode ser desenvolvida, o limite sendo a imaginação. Algumas coisas são um pouco mais difíceis, demandam mais tempo e recursos para serem desenvolvidas, e portanto podem não ser economicamente viáveis, ainda. Mas nada é impossível, a tecnologia está aí.

Falando especificamente, em tecnologuês, os desenvolvimentos taxados de Web 2.0 não usam, necessariamente tecnologias novas, mas agregam uma série de linguagens que já vêm sendo usadas há algum tempo, agora, de forma integrada, coordenada e "cooperativa", que são (X)HTML, XML, Javascript, CSS, Ajax, PHP, etc... integrando recursos multimedia, audio, video e foto, formas de comunicação diferentes, como o celular, PDA, SmartPhones e promovendo a integração humana na internet. O momento favorece a sinergia tecnológica.

Do ponto de vista cultural
A humanização, ou aspecto social, é o ponto fundamental. Significa que o usuário é o centro das atenções na hora do desenvolvimento. A melhora da performance, velocidade, interpretação e do desempenho é estritamente voltada à receptividade e interação intuitiva do público na atividade que está executando. Não é mais concebível que uma tarefa seja difícil de executar, que para isso o público tenha de aprender inúmeros jargões, executar centenas de passos para fazer o que intenciona, independente das suas limitações físicas. Já se sabe como as coisas funcionam, agora é preciso que funcionem melhor!

Por exemplo
Para quem não é da área de desenvolvimento web, talvez não seja fácil perceber esta mudança porque as melhorias de desempenho não são necessariamente "visíveis", estão no programa, no código, no mecanismo por trás do site. Mas é possível observar, por exemplo, que formulários estão se tornando mais fáceis, ou menos desagradáveis, de preencher, menos passos são exigidos no preenchimento e que o preenchimento errado de alguma informação é alertada antes mesmo de você completar o processo. Para que isso acontecesse, foram usadas essas tecnologias que citei. Sem dúvida você já se deparou com um formulário "às antigas" em que xingou o site dizendo "mas que coisa burra, porque não fazem como naquele outro site tão mais fácil". É nesse "site fácil" que provavelmente foi usada a tal Web 2.0.

Do ponto de vista do design gráfico, nunca se conseguiu resultados criativos tão completos e tão econômicos em termos de velocidade das páginas do que hoje com o uso disseminado da linguagem CSS. Coisas que antes só podiam ser executadas com Flash, cuja demora em carregar muitas vezes se tornava insuportável, como transparências e sobreposições, ou com os milhões de micro imagens que eram montadas como um quebra cabeças por tabelas encaixadas dentro de mais tabelas e mais tabelas, hoje são realizadas com ainda mais maestria visual agregando uma vantagem que nunca antes tinha sido possível: a ascessibilidade ou possibilidade de pessoas com impedimentos físicos ou tecnológicos em lerem e compreenderem TODO o conteúdo.

Neo-Renascença
Essa sinergia tecnológica também se traduz na sinergia entre os profissionais desenvolvedores. Ou seja, cada uma das linguagens ou tecnologias citadas podem ser desenvolvidas isoladamente, e ao mesmo tempo, é possível fazer com que todas elas conversem entre si. Da mesma forma cada profissional especialista em uma dessas linguagens ou tecnologias pode trabalhar isolado, mas integra o seu trabalho com o outro. O trabalho é separado em camadas que se complementam e por isso, não é concebível, hoje em dia, que um projeto seja desenvolvido sem:

  • Uma análise do processo humano e um planejamento da execução do projeto para atender às necessidades individuais ou sociais.
  • Arquitetura da informação.
  • Design das funcionalidades e do comportamento voltadas à experiência do usuário
  • Design gráfico para comunicar melhor.
  • Programação
  • Experiência do usuário verificada através de testes.
  • Análise do desempenho para motivar ajustes

Cada um desses pontos poderia ser desenvolvido por um indivíduo específico e especializado naquela área. Naturalmente que, do ponto de vista profissional, estamos vivendo uma espécie de Neo-Renascença em que muitos estão aprendendo e desenvolvendo um pouco de tudo. Isso está ocorrendo porque é preciso que o designer tenha uma consciência de programador, analista, arquiteto, engenheiro e que cada um dos outros profissionais colaborando no projeto também tenham esta consciência complementar para que a integração final ocorra. É uma questão de atitude, de postura cultural, de ponto de vista voltada a favor do ser humano.

Futuro brilhante
A conclusão é que a experiência na Web deverá melhorar a olhos vistos a curto prazo. Muitas melhorias já podem ser experimentadas através dos inúmeros serviços que já estão disponíveis. Todos estes desenvolvimentos estão permitindo que mais pessoas participem da formação da teia, surgindo comunidades em torno de toda espécie de interesses, com uma velocidade e dinamismo jamais vistos.

A "Web 2.0" pode parecer algo hermético, só para iniciados, mas a dificuldade de compreender é justamente porque não é exatamente uma novidade e sim uma re-invenção luminosa do uso de tudo que já está por aí. Basta por a criatividade para funcionar!

UPDATE 25/JUN:
Encontrei alguns artigos que valem a pena ler e podem servir de leitura complementar. São um pouco mais técnicos do que eu escrevi.

23Jun2006| share this!

Comments

Parabéns pelo tópico e obrigado pela citação :^)

Após ler seu texto, que por sinal é bastante esclarecedor, chegamos a conclusão que para tirar proveito da tal WEB 2.0 será necessário dominar, ou pelo menos se ambientar com uma porção de tecnologias emergentes e dar "palpites" em áreas afins durante o processo de modelagem e desenvolvimento?

Então a Web 2.0 não tem nada a ver com alterações voltadas a maior segurança e confiabilidade das informações como inicialmente eu pensava...

por: Eduardo Kuhr | 25Jun2006.

Como disse, não sou expert, mas tudo o que tenho lido a respeito deste assunto me leva a crer que não é UMA tecnologia específica e sim a junção e interação das tecnologias que foram desenvolvidas até hoje. Certamente, o desenvolvedor hoje e no futuro terá de ser uma espécie de homem universal, um ser da renasceça, como Da Vinci. Saber de tudo um pouco será fundamental!

Certamente que a questão de segurança e confiabilidade estão incluídas neste mix e não só isso, mas a preocupação com a estabilidade e legibilidade futura do que é publicado hoje. É neste sentido que o conteúdo se torna mais confiável e seguro. Assegura-se a preservação e a capacidade de recuperação da informação!

por: Nancy Marchioro | 26Jun2006.

Nancy, bom vê-la novamente ativa na blogosfera!
Este seu texto esta muito bom, pois voce aborda tudo de uma maneira simples, fica fácil de entender a dinâmica do que a web 2.0 propõe.
um beijo,

por: Fer Guimaraes Rosa | 26Jun2006.

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